Meu grito


Tento derramar um grito
Nesta tela peçonhenta, e teimar
Mas apenas sujo de gotas o infinito,
Feitas duma côr, viscosa a gotejar

Deste meu pensamento que se esvai,
Numa brutal hemorragia, que bonito
Este pássaro que voando cai
Tenho o corpo mordido por este grito..

Minha alma estraçalhada de agonias...
E estafada de me dissecar à busca de ar
Mais puro para respirar.
È este o ar que tu querias?...

Além de mim, quem me medita,
Nada disto vê...Mas, a vida escorre
Nesta calma de quem vive ou morre
Seguro pelos cordeis desta marioneta...

Vagamente me perguntas se sou eu
Nem poderia ser doutro jeito…
É por isto que me afogo, cansado ao léu...
Teimando em libertar deste meu peito

Esta voz vagamente sofocada...
Como um grito saido do nada...
Numa sofreguidão... Cansada.
Que teima em não ser notada


Jót@

1 comentário:

tucha disse...

soa-me a dôr este poema...Mto sentimento, lindo.